Sexta, 22 de Março de 2019
‘Condenável’, diz Doria após ver vídeo sobre ação da polícia
09/03/2019 as 12:48 | Estado de São Paulo | Da Redaçao
O governador João Doria (PSDB) reconheceu nesta sexta-feira, 8, o que chamou de “excesso” por parte de policiais a na dispersão de um bloco de carnaval na Barra Funda nesta semana. Antes da divulgação de imagens sobre o caso, Doria chegou a dizer que a polícia havia agido de forma correta. Nesta sexta, mudou de opinião após ter tido acesso às gravações.

“Não tinha visto (o vídeo). Vi quando retornei para o Palácio dos Bandeirantes e julguei que houve um excesso. Não tinha necessidade, ainda que na progressão da força, de ter chegado naquele nível tão próximo das pessoas”, disse.

Ele disse que, no caso da ameaça à atriz, o comportamento do policial “foi totalmente inadequado, uma forma ofensiva de tratamento”. “Isso é totalmente condenável, tanto o excesso de força, quanto verbalmente uma agressão a qualquer cidadão, especialmente a uma mulher.”

O policial militar que ameaçou uma foliã atingida por um disparo de bala de borracha foi afastado do trabalho operacional pela corporação. O agente, que não foi identificado, disse que não tinha “cerimônia para quebrar cara de mulher”. A vítima havia ido ao batalhão denunciar o excesso na atuação da PM. Para o ouvidor das polícias, Benedito Mariano, a fala do agente é “absurda e grotesca” e os policiais agiram com força desnecessária contra o grupo.

A Secretaria da Segurança Pública informou que foi instaurado um inquérito policial militar pelo 4.º Batalhão para apurar a ocorrência e vai investigar a conduta do policial mencionado.

Para Mariano, toda a ação na Barra Funda foi excessiva. A PM disse que atuou para dispersar foliões após obstrução da via. “Usaram equipamentos como bombas e bala de borracha de forma desnecessária, pois a via não estava obstruída”, disse o ouvidor, que deverá ouvir as vítimas nesta tarde para encaminhar ofício pedindo apuração pela corregedoria.

Uma das pessoas feridas foi a atriz Thaís Campos, atingida na altura da costela. No 4º Batalhão, ao pedir explicações, foi ameaçada por um policial. “Aponta o dedinho não, se aproxima não você vai tomar um atropelo aqui, estou falando para você, toma distância. Não tenho nenhuma cerimônia em quebrar cara de mulher, não, você presta atenção.”, teria dito o policial.

“É uma fala absurda, grotesca e que não se coaduna com a filosofia da Polícia Militar, que apregoa o lema de proteger e servir. Não vimos esse conceito sendo seguido nesse caso”, acrescentou o ouvidor. Mariano disse que também será apurada eventual omissão e prevaricação de agentes do 91º DP (Ceasa), que não registraram a reclamação de Thaís e a orientaram a fazer queixa na Corregedoria. “A polícia judiciária tem que registrar a denúncia. Há aí uma omissão.”
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