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25/12/2018 as 18:28 | Fernandópolis | Jean Braida
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Certo dia um garoto de família muito nobre decidiu sair de casa. Ele tinha tudo que um jovem sonhava ter. As melhores roupas, calçados, frequentava lugares requintados, viajava bastante... Além das muitas amizades e namoradas (sempre com uma diferente). Ele conta que toda semana aparecia com uma linda garota em sua casa. “Eu tinha uma vida que qualquer pessoa gostaria de ter, mas com o tempo fui enjoando disso, meus pais começaram a querer me controlar, a gente começou a brigar muito, até que tomei uma decisão”.

Este jovem que completara 18 anos em abril decidiu ‘se presentear’ dando a própria liberdade a ele mesmo, onde, no meio da festa, rodeado de amigos e familiares, tomou o microfone pediu a banda que parece de tocar e subiu ao palco. Como de costume, todos aguardavam as palavras do rapaz que agradeceu e num dado momento chamou seus pais para estarem ao palco junto a ele. Em meio aos aplausos e gritos eles foram ao encontro do filho. O menino que se tornara homem colocou o microfone no pedestal, juntou suas mãos com a dos pais e olhando nos olhos de cada um disse: “Pai, mãe, agradeço tudo o que vocês fizeram por mim até hoje, mas filhos são criados para voarem e não ficarem presos em gaiolas. Por isso, hoje estou despedindo da menoridade e também desta casa. Quero que dê tudo o que é meu porque chegou a hora de eu viver a minha vida, a vida que eu quero viver”.

No momento em que o rapaz falava, todos pararam e ficaram em silêncio, onde cada gesto dos pais era ressaltado com o tamanho susto.

A mãe começou a chorar e disse que não permitiria que o filho fizesse isso. Já o pai com lágrimas nos olhos, chamou o advogado (que também estava na festa) e disse, “doutor faça a partilha e entregue a ele tudo que lhe pertence”. Após estas palavras, a mãe abraçou o filho desesperadamente pedindo para que ele não fizesse isso, enquanto o pai apenas colocou a mão direita no seu ombro e segurando o choro deu as costas e partiu.

Os amigos do jovem ficaram muito contentes com esta decisão, e festaram a noite toda. Na verdade, viraram o fim de semana festejando, bebendo, comendo e fazendo tudo que lhes cabiam.

Passaram semanas e a festa continuava, era muito dinheiro que o rapaz tinha. Festa todo dia, saiu da faculdade porque ‘não tinha tempo’ e falava com a mãe só por telefone porque ‘também não tinha tempo’ de ir à sua casa.

As amizades só aumentavam e consequentemente os gastos também, já que o rapaz não se importava em pagar as coisas com quem estava com ele. Muitas outras mulheres apareceram, onde, cada dia era uma que estava em seu quarto.

Cada dia aparecia algo novo para que ele gastasse dinheiro. Era um empréstimo aqui, um investimento sem retorno ali, até que um dia, ele recebeu uma ligação do gerente do banco solicitando sua presença.

O rapaz foi até a agência e para sua surpresa ficou sabendo que sua conta já estava no vermelho. Ele estranhou e pediu um extrato. Quando o pegou viu que em sete meses só havia saído dinheiro de sua conta, nenhuma entrada sequer, nenhum depósito, nada.

Assustado ele saiu do banco e ligou para seus muitos amigos que havia emprestado dinheiro. “Não cobrei meus amigos, apenas pedi emprestado. Mas, todos disseram que não tinham”.

Depois de várias tentativas, ele pensou em ligar para seus pais, mas, a vergonha não deixou. “Pensei em começar a trabalhar, mas não consegui emprego”.

Os dias foram passando e se tornando mais difíceis. Amigos? Apenas um cachorro vira latas o acompanhava. Sem casa, tomada pelo banco e com apenas uma bolsa com algumas trocas de roupas surradas ele ia nos lugares que frequentava, mas, os amigos fingiam estar falando no celular quando ele se aproximava.

Até que uma madrugada dessas um homem que saia de uma festa com a família, seguia de carro quando avistou um rapaz todo sujo acompanhado por um cachorro. Ao olhar para esse jovem percebeu algo familiar. Ele deu a volta no quarteirão e viu aquele mesmo jovem, filho do seu amigo que pediu para ir embora meses atrás. Logo pegou o celular e ligou para o pai do menino. Após desligar o aparelho ele chegou próximo ao jovem, que debilitado percebeu que era o amigo e advogado do seu pai. Sem forças e com fome foi colocado no carro e levado para casa da sua família.

Em meio a este tempo o pai pediu aos empregados que pegassem as roupas com as cores que o filho mais gostava, o tênis branco que ele amava e colocou na mesa todas os pratos preferidos do filho. Era 24 de dezembro.

Quando o advogado chegou com o filho do seu amigo, os convidados ficaram assustados, cochichando entre eles “se fosse meu filho eu daria um gelo”, “se fosse meu, eu deixava sofrer”, entre outras coisas mais. No entanto o pai, quando viu o filho foi ao seu encontro e chorando desesperadamente o abraçou, junto com sua esposa.

As vezes achamos que podemos tudo. As vezes pensamos que somos fortes sozinhos. Queremos viver as coisas do mundo, porque, de fato, são atrativas e gostosas. Mas o quanto elas valem a pena? Será que uma alegria momentânea tem maior valor que algo perpetuo. Quantas pessoas hoje estão deixando coisas concretas para viver na ilusão?

Sabemos que não somos perfeitos, que erramos muito, mas ter a humildade de voltar atrás e pedir perdão e perdoar são dádivas de Deus. Por isso, desejo que este natal seja de reflexão para que aguentemos o tempo da dor e sofrimento focados num propósito maior. O propósito de Deus. Feliz natal.

Por Jean Braida.

Jeanbraida@hotmail.com
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