Sábado, 15 de Dezembro de 2018
Qual é maior!?
04/12/2018 as 20:57 | Fernandópolis | Jean Braida
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Fernandópolis
Um dia desses, conversando com uma mulher aqui mesmo da cidade, fui surpreendido com uma história que, confesso, mexeu bastante comigo. Com seus cabelos pretos e longos, pele morena, castigada pelo sol do dia-a-dia, com sorriso no rosto, começou a contar um pouco de sua trajetória. Fiquei curioso e ao mesmo tempo entusiasmado pela iniciativa de me abordar e querer contar algo tão íntimo a uma pessoa que conhece apenas por rede social.

Vou chama-la de Raquel, até mesmo porque o que menos importa é sabermos quem é.

Raquel foi nascida e criada em Fernandópolis. De família humilde foi educada pelos pais até os 7 anos de idade. Segundo ela, nesse período, apesar do pai se embriagar quase todos os dias, aparentemente tinha uma vida normal onde a maioria do tempo ficava com a mãe. Ela lembra que sua mãe dizia que ela era uma criança muito comunicativa e risonha. “Eu ficava no portão cumprimentando todos que passavam pela rua”, disse.

Com lágrimas nos olhos, Raquel conta que, infelizmente a alegria acabava quando seu pai chegava ´bêbado’, e tratava sua mãe com brutalidade, falta de educação e respeito. “Minha mãe deixava a toalha, roupa, comida, tudo no jeito para a hora que ele chegasse. Mas ele sempre estragava tudo”.

“Além da bebida trazer consequências sentimentais terríveis, ela também trazia uma dura crise financeira por conta do dinheiro gasto em bares”.

Raquel conta que os anos foram passando e mesmo assim nunca teve o amor do pai. Para ela, o pai era um simples colega que morava junto. Alguém sem importância que com certeza jamais sentiria falta. Prova disso é que os pais se separaram e mesmo distante, cada um seguiu seu rumo não existindo amor entre ambos. “Ouvindo eu falar, parece difícil de entender. Mas é exatamente isso que aconteceu! Quando ele saiu de casa, fiquei morando com minha mãe e as coisas melhoraram muito. Minha mãe começou a trabalhar. Começamos a ter um tempo para nós duas, enfim, de mãe e filha, passamos a ser mãe, filha e amigas”.

“Estava indo tudo bem, Raquel completara 16 anos e infelizmente uma terrível doença tira a a vida de sua mãe. Uma dor horrenda, algo que jamais pensava em sentir, ainda mais naquele período que estávamos tão bem”.

Raquel se vê, sem chão. Qual rumo tomar? Qual caminho seguir? E agora?

Aquela menina doce, sempre risonha se transformou, ou melhor foi transformada em algo totalmente inverso que era. ‘Amizades’ novas apareceram e com elas o cigarro, álcool, maconha... “Cheguei ao ponto de não querer tomar banho, lavar minhas roupas, fazer comida”. Era o fundo do poço para Raquel.

Eis que um dia, rolando a ‘time line’ do facebook viu a foto de uma jovem com os pais onde a legenda dizia ‘O bem maior é a família’. Aquilo chamou a atenção de Raquel e quando ela clicou para aumentar o tamanho da imagem percebeu que o pai daquela jovem, era também o seu pai. Desesperada Raquel entrou em prantos, chorava muito gritando pelo seu pai. Angustiada, com o teclado e mouse molhados de tanta lágrima, ela clicou no único comentário que tinha. E lá estava escrito ´Para ficar completo só falta sua irmã meu amor’. Ela curtiu o comentário e logo chegou uma solicitação de amizade. E adivinha quem era?

Raquel me disse que cerca de 30 minutos depois, ouviu barulho de palmas em frente da sua humilde casa. Não queria sair. Ficou em silêncio, mas devido a insistência olhou pela fresta da janela e viu um homem bem vestido, bonito com uma criança toda linda e arrumada. “Foi na hora que eu disse ‘ Que foi?’ o homem começou a chorar e disse, quase sem forças ‘Sou eu minha filha! É o papai!’. Nesse momento sai depressa, não conseguia abrir a porta, até que destranquei e corri nos braços daquele homem que nunca esteve nem aí comigo e nem eu pra ele. Mas, que de alguma forma ele era tudo o que eu precisava”.

“Nos abraçamos, conversamos muito. Ele me pediu perdão, eu pedi a ele e, a partir desse momento sai daquela casa imunda, da minha vida imunda e comecei a morar com meu pai e correr atrás dos meus sonhos”.

Para Raquel a mensagem que fica é que “pode parecer que é o fim! Você pode esgotar suas energias, cair no buraco, ser aniquilada pela mágoa e tristeza. Pode parecer que não tem mais saída, que simplesmente acabou! Mas a grande realidade é que o único que pode dizer se acabou ou não, é Jesus Cristo. Só ele”.

“Às vezes queremos viver a vida que achamos conveniente, se esquecendo que o Espírito Santo de Deus quer viver em nós. Basta darmos a liberdade e lutarmos para isso, porque não é fácil. Quem diz que é fácil, está mentindo porque não é! Mas, por outro lado, também não é impossível. Vamos sangrar até o final, vamos sofrer. Mas se aguentarmos o momento da dor com Cristo, tudo o que foi ruim se tornará bom”. Creia”.

Quando ela me disse isso, com a mão no meu ombro e olhando nos meus olhos, percebi que tudo que passamos é 000000000,1% do que Jesus passou por nós. E a pergunta que fica é, ‘Estou mostrando a Deus o tamanho do meu problema ou estou mostrando a meu problema o tamanho do meu Deus!?’

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