Segunda, 23 de Outubro de 2017
Free Fallin’
08/10/2017 as 16:09 | Fernandópolis | Sérgio Piva
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Conheci Tom na década de 80, quando lançou Southern Accents, de 1985. Ouvi todo LP e, de cara, gostei de “Don’t Come AroundHere no More”. Paixão à primeira vista, pelo Tom e pela música. Também pudera, era o hit escolhido para o disco. Mas todo ele excelente.

Tom Petty e os Heartbreakers me seguiram daí em diante. Melhor dizendo, fizeram parte do meu cabedal musical particular. Estiveram presentes em minha “musicoteca” física e digital equase sempre nas playlists da musicoterapia que acompanha minha escrita.

Recentemente, em uma crítica do jornal USA today, o autor perguntou: O que faz a lenda do rock Tom Petty um ícone tão excepcional ao lado de outros como Keith Richards? E respondeu: É a natureza pura do som de sua banda, os Heartbreakers, a personalidade de sua voz e talvez, sobretudo, sua lacônica presença sulista.

Em relação a ter nascido e crescido em Gainesville, Flórida, Sul dos Estados Unidos, parece que essa tal presença tenha a ver com as influências da música do negro na cultura norte-americana, especialmente nos estados do sul, e, por conseguinte, nos riffs “bluzeiros” que percorrem as veias metálicas de suas composições, misturando a elas a melodia que criaram canções de sucesso.

Introduzidos no Rock andRoll Hall ofFame em 2002, cuja biografia diz na abertura: “Clássicos, mas ainda inovadores. Homens comuns, contudo heróis.” Fala mais: “Eles cantaram sobre as lutas diárias de uma maneira extraordinária. De imortalizar o homem comum em suas canções de sucesso até impedir que executivos de gravadoras aumentassem seus preços, Tom Petty e Heartbreakers eram os heróis do cidadão comum.”

Em entrevista a Revista Rolling Stone, em dezembro do ano passado, Tom Petty falou sobre o inicio dos ensaios, em novembro daquele ano, para sua turnê de comemoração dos quarenta anos de carreira. Disse que essa poderia ser a última. A manchete da matéria ainda reforçou escrevendo em letras garrafais: “The Last Big One” – AGrande Última (turnê). Continuando disse: “Estamos todos na casa dos sessenta. Não quero passar minha vida na estrada”.

A turnê foi um sucesso. Foi até entendida. Assim como os dois últimos shows programados para Nova York, nos dias 8 e 9 de novembro deste ano, com ingressos esgotados, todosdas apresentações pelos Estados Unidos e Canadá mantiveram-se assim.

Por coincidência (se é que ela existe), na semana passada, revendo alguns arquivos de música, comecei a ouvir Tom Petty. Entre a leitura na internet, a escrita e bate-papo online com um amigo, que me ouvia no rádio e apreciava as músicas selecionadas por mim, enviei a ele um áudio com uma das músicas de Tom que costumava tocar com frequência. Ouve algum saudosismo, com frase iniciadas com “naquela época...”, falamos de Tom e o assunto mudou de direção.

Dois dias depois, aquele mesmo amigo me envia um link com a notícia de que Tom Petty tinha tido uma parada cardíaca e estava hospitalizado. No dia 2 de outubro os sites de notícias confirmavam seu falecimento.

Ao longo de sua carreira, Tom Petty vendeu vinte milhões de cópias só nos Estados Unidos. Wildflowers, álbum mais vendido do artista, vendeu aproximadamente três milhões de cópias.

Naquela mesma entrevista à Rolling Stone, Petty disse também: “Estamos muito conscientes de que o tempo é finito”. Aliás, quase tudo o que ele falou na matéria e destacaram, hoje, parecem palavras guiadas pelo destino.

O tempo é realmente finito, para as pessoas, não para o que construíram. Ele definitivamente não passaria a vida na estrada, passará na imortalidade de seus versos, na eternidade de suas criações.

Tom Petty “Won’t Come AroundHerer no More” (Não virá mais por aqui), mas como um american boy, não só conquistou seu espaço no Hall da Fama, deixando os royalties de cerca de oitenta milhões de discos vendidos, muito mais que isso, caiu livremente nos braços da imortalidade como ícone da músicae como homem.

A última voz rebelde da América. He’sfree,FreeFallin’. Agora está livre, em queda livre para cair nas páginas da história do rock e da música mundial. Ele se foi deixando os Hearbreakers: os seus e de todos que apreciavam suas canções e sua humilde genialidade.


Sérgio Piva
s.piva@hotmail.com


PS – Todas a citações que fazem referência ao original em inglês são traduções livres do autor.
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