Quarta, 20 de Setembro de 2017
O sucesso do medo
08/05/2017 as 21:08 | Fernandópolis | Da Redaçao
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O cinema há muito tempo se utiliza dos sentimentos do ser humano para entreter, influenciar e encher o bolso de dinheiro.

Provocar medo rendeu muitos milhões de dólares aos estúdios devido ao sucesso de filmes de terror como “Sexta-feira 13” e a “Hora do Pesadelo”, com tantas sequencias que acabam se encontrando em “Freddy X Jason”(2003), apesar da primeira série parecer ilimitada.

Somam-se a esses filmes outros tantos clássicos sobre demônios, vampiros, lobisomens e psicopatas e serial-killers, como Norman Bates e Hannibal Lecter, sem contar as infinitas filmagens e refilmagens do famoso Drácula, entre outros remakes de sucesso como “O Chamado“ (2002), maior bilheteria de uma refilmagem de terror de todos os tempos, seguido pelo segundo colocado, outra refilmagem de uma produção japonesa, “O Grito” (2004).

Talvez a indústria cinematográfica, e seus roteiristas e diretores, tenham estudado e levado ao pé da letra a frase atribuída ao filósofo e escritor suíço Jean-Jacques Rousseau a qual afirma que “A razão forma o ser humano, o sentimento o conduz”, e conduziram milhares de pessoas às salas de cinema e o dinheiro delas a seus bolsos. Nada contra, só para constar que o medo também dá lucro.

O medo sempre foi utilizado na história da humanidade para diversos outros fins, que não do entretenimento e lucro financeiro. E continua até os dias atuais sendo a arma mais manuseada no controle social.

Esse sentimento gerado no âmago do ser humano pode ser útil em algumas situações, e deveras importante na autopreservação da espécie humana. Sem qualquer tipo de medo, a raça humana seria ainda mais perversa do que parecer capaz de compor-se e muito mais destrutiva além daquilo que já deixou registrado em toda sua história.

Desde de colocar medo nas crianças, com personagens como o “homem do saco” e o “bicho papão”, utilizando-se das terrificantes canções de ninar (ou deveriam ser “de apavorar”), para prender os filhos em casa ou prevenir de perigos, até fazer ruir impérios e dissolver sistemas e doutrinas como o comunismo e o socialismo, independente de julgamento do certo ou errado, utópico ou verdadeiro, para tão somente fazer vencer um só poder, infligindo o medo em nações inteiras.
Dizem que quem tem medo de água não morre afogado. Tampouco aprende a nadar, acrescento. Se a diferença entre o veneno e o remédio é a dose, da mesma forma a discrepância entre o medo como mecanismo de proteção e de opressão está na intensidade e duração desse sentimento.

Melhor ainda, a diferença entre usar o medo para proteger e cooptá-lo para controlar ou oprimir está na maior criatividade aplicada no enredo da história e no personagem mais assustador que se possa criar.
Atualmente, parece mais verdadeira outra citação também atribuída a Rousseau que diz que “Medo e esperança são os dois grandes instrumentos para o controle do homem”. Pelo menos em nosso país, os roteiristas e diretores da nação têm plena certeza da eficiência dessas armas, sobretudo da eficácia da primeira.

Resta-nos rememorar um roteiro de sucesso, a vida de Nelson Mandela, primeiro presidente negro da África do Sul, vencedor do prêmio Nobel da Paz e ícone da luta contra o apartheid ,cuja prisão não o impediu de comandar o movimento que libertou seu povo do tirano regime de segregação racial.

Por ter conhecido tão de perto o medo opressor e aprendido qual o estrito significado da esperança e valor da coragem, Mandela deixou registrada a seguinte frase, a qual devemos lembrar a qualquer tempo e a todo instante:

“Aprendi que a coragem não é a ausência do medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que conquista esse medo.”

Se não fosse pela questão do espaço-tempo, diria que o próprio Mandela teria ditado os versos que dizem que se ergueres a clava forte da justiça, verás que o teu filho não foge à luta e não teme nem a própria morte.

Sérgio Piva
s.piva@hotmail.com
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